Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2012
TREMOR DE TERRA - 28/2/1969

Chegara a casa. Na sala debitava os meus últimos cigarro e whiskey. Meu filho Paulo André repousava, no quarto, os seus 10 meses. Apanhei uma Revista. Francesa. De repente um ruido ensurdecedor fez-me saltar da comodidade do sofá. Eram 02.37h. Sexta-Feira. O candeeiro do teto bailava. As pedras de gelo do copo chocavam-se num estranho bailado. Acerquei-me da varanda. O prédio defronte aproximou-se e recuou. Será? Então entendi. Corri para o quarto e peguei no meu rebento. Acordou e\"sorriu-me\" como sempre acontecia. Abalei não esquecendo a garrafa do nektar supremo. Atravessei a rua e entrei como, normalmente, acontecia pelas trazeiras do RCP. Reinava o luzcofusco das luzes de presença. O técnico Carrilho coordenava as operações. Na Redacção o Carlos Manuel [Adesivo] tentava responder aos telefones que não paravam. A E.N. estava fechada. A R.R. sem som fechada estava pois não tinha emergência. Havia k sossegar a população. Contactámos todos os Serviços ligados à Protecção Civil. Com estes e os telexes k chegavam iamos dando conta do k se passava. A normalidade ia chegando. Chegando tambem o Zé Ribeiro e o Fernando Jorge k do Estoril voltavam duma noite de copos. \"- MAS O K É K SE PASSA? NÓS É QUE ESTAMOS BEBEDOS E SÓ VEMOS GAJOS EM PIJAMA A CORRER PELAS RUAS...\" Aperceberam-se então k as luzes-presenciais só se activam quando o gerador dispara. Voltaram à real. No Estúdio 5 o Carrilho acordava o Crisóstomo e os Emissores do FM foram medidos às 06.h para começarem a emitir às 07.h O pessoal, já era manhã ia aparecendo. O meu trabalho terminara. Voltei para casa sem a botella. Vazia ronrronava nos braços do Fernando. Voltei para casa e ainda brinquei com o meu filho. A Renate arranjou-me uma bebida



publicado por paulogalina às 05:26
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1 comentário:
De paulogalina a 10 de Fevereiro de 2012 às 10:02
Eu tinha fechado a emissão do PBX, às 2, e fora a pé para casa, na Infantaria 1. Toda a gente dormia e eu também o estava mesmo a pedir. Recordo que estava a descalçar-me quando a casa começou a abanar, devagarinho, primeiro, depois com mais violência. Quando tive consciência que se tratava de um sismo, o meu filho João (6 meses) foi o primeiro a acordar. Corri para ele e pelo caminho vi que o meu filho Paulo (2 anos e meio) dormia. Devia estar a sonhar com música mas acordou também. Naqueles segundos tudo tinha passado mas ainda tentei ligar para o Rádio. Peguei no telefone e sem aviso prévio apareceu a minha mãe na linha: "Estou a ligar para ti há que tempos, preocupada...". Há que tempos não seria pois o tremor de terra não durou mais que alguns segundos. Os meus filhos voltaram a adormecer e eu pensei: "E agora? Que fazer?". Nada. Não havia nada a fazer. A não ser seguir a sugestão dos copos a tilintar no armário da sala, na segunda ou terceira réplica. Servi-me de uma dose generosa.
Tchin tchin. João Paulo Guerra


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